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Isoflavonas de soja e risco de câncer de mama

Uma das formas mais comuns de câncer nas mulheres, o câncer de mama vem aumentando as especulações sobre intervenções nutricionais que possam prevenir ou propiciar o aparecimento da doença e também a sua taxa de recuperação e mortalidade quando há diagnóstico positivo.

A soja, grão proveniente da Ásia, é rica em isoflavonas genisteínas e daidzeínas, um fitoestrógeno de composição semelhante ao hormônio natural feminino, capaz de imitar as funções do estrogênio humano nos órgãos, ligando e ativando o receptores, resultando em uma menor produção endógena desse hormônio. Essa movimentação é o motivo de pesquisadores investigarem a correlação do consumo de soja e a ocorrência de câncer de mama, será que há alguma correlação? Será ela positiva ou negativa?

Alguns estudos indicam que as isoflavonas da soja demonstram redução do crescimento de células cancerígenas através da inibição de receptor de estrogênio, além de demonstrarem também, propriedades anticancerígenas e anti-inflamatórias, vindas da regulação da expressão de crescimento endotelial vascular, mas ainda há muitas opiniões contrárias sobre esse benefícios.

Um estudo visou avaliar através de uma meta-análise de estudos prospectivos qual é a verdade sobre o consumo de soja e a ocorrência do câncer de mama. Para isso, os pesquisadores avaliaram 523 estudos disponíveis na literatura, sendo destes, 8 estudos 100% qualificados para a avaliação objetivada pelo estudo. Os dados foram avaliados por 3 pesquisadores diferentes para evitar pré-decisões e todas as avaliações foram revisadas em conjunto ao fim do estudo. Os dados foram coletados de 2003 a 2011, de pacientes por todo o mundo.

O consumo de soja foi estratificado em dois grupos, de 0 a 15mg de soja e isoflavona por dia classificado como não consumo ou baixo consumo (BC) e maior de 15 mg por dia como alto consumo (AC). 

A proporção de mulheres com diagnóstico positivo de câncer de mama no grupo de BC foi significativamente maior (p <0,000001), sendo 75% das pacientes pertencentes a esse grupo (n=7.271) quando comparadas ao grupo AC, onde apenas 25% dos diagnósticos positivos (n=2.428). 

Os resultados também foram estratificados para mulheres na fase de pré-menopausa, para avaliar se essa condição teria alguma interferência na ocorrência do câncer de mama e consumo de soja e isoflavonas. De 5.195 mulheres com diagnóstico positivo de câncer de mama no estágio de pré-menopausa, 77,3% (n=4.017) eram do grupo BC e 22,7% (n=1.178) eram do grupo AC (p <0,0001). Resultado parecido foi encontrado quando dados foram estratificados para mulheres em fase pós-menopausa, onde 77,5% (n=7.209)  pertenciam ao grupo BC e 22,5% (n=2.096) pertenciam ao grupo AC.

Os pesquisadores concluíram que, segundo a revisão deles sobre os 8 estudos avaliados, o consumo maior de soja e isoflavonas foi de grande significância e de associação favoravelmente menor quando comparadas ao grupo de nenhum ou baixo consumo, sugerindo que o consumo de soja é benéfico para o prognóstico e manifestação do câncer de mama. 

Mais estudos devem ser realizados para comprovar este resultado, evitando a grande variação na quantidade de ingestão de soja e isoflavona ao dia para os grupos de avaliação e a estratificação mais acertiva entre o período de pré e pós-menopausa dessas mulheres.

Referência: Boutas I, Kontogeorgi A, Dimitrakakis C, Kalantaridou SN. Soy Isoflavones and Breast Cancer Risk: A Meta-analysis. In Vivo. 2022 Mar-Apr;36(2):556-562. doi: 10.21873/invivo.12737. PMID: 35241506; PMCID: PMC8931889.

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