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Relação entre o consumo de carne bovina e concentração de ferritina do cordão umbilical durante a gestação

A alimentação materna é um grande fator de influência na saúde e desenvolvimento do bebê, com impactos epigenéticos de curto e longo prazo. A importância do equilíbrio entre os macronutrientes (carboidrato, proteína e gordura) e micronutrientes (vitaminas e minerais) na alimentação da mãe já é amplamente conhecida,  assim como os bons hábitos alimentares dentro da família, tendo variedade no consumo alimentar de frutas, legumes e verduras.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, 30% das mulheres entre 15 e 49 anos sofrem de anemia e esse número pode aumentar, considerando que durante a gestação, a quantidade recomendada de ferro aumenta (27mg/dia). 

Sabendo que a absorção do ferro naturalmente presente nos alimentos é diferente quando encontrados na fonte animal (ferro heme) do que na fonte vegetal (ferro não heme), pesquisadores avaliaram se o consumo de carne bovina pela mãe durante a gestação influencia na concentração de ferritina no cordão umbilical.

O estudo observacional descritivo avaliou 118 grávidas e seus bebês durante o período de 1 ano no mais importante Departamento de Neonatologia de Montevidéu, no Uruguai. Houve dosagem de ferritina do cordão umbilical 1 minuto após o nascimento, depois do estrito clampeamento e todos os bebês que participaram do estudo eram nascidos a termo (idade gestacional igual ou maior que 37 semanas) e saudáveis. Para as mães, houve coleta de recordatório alimentar, com questionamento de frequência e porção do consumo de alimentos fonte de ferro nos últimos 3 meses, histórico patológico e dados demográficos.

Das amostras coletadas, apenas 167 foram avaliadas e foram considerados como deficientes latentes de ferro (DHL) os resultados menores de 100mg de ferro /ml. Na análise os pesquisadores descobriram que:

  • 70% das mães tinham entre 25 e 35 anos, e apenas 10% delas tinham acesso a escolaridade superior a 12 anos de estudo.
  • Apenas 12,7% das mães foram classificadas como anêmicas e 81,3% delas tiveram uma ou mais complicações de diversas causas na gestação, sendo a maioria de infecção urinária e genital. 
  • 15,4% das mães tiveram diabetes gestacional.
  • O valor médio da hemoglobina materna no último trimestre da gestação foi de 11,9 g/dL, sendo o consumo materno de carne bovina  de 61,8 g / dia (35,8g a 238,1 g/dia).
  • Quando o consumo de 100g de carne bovina ao dia foi utilizado como referência, recém nascidos de mães que consumiram menos que 100g de carne bovina por dia apresentaram risco três vezes maior de deficiência latente de ferro(teste de Fisher p-valor = 0,0133 (95% IC 1,25-11,05).

Os autores concluíram que  níveis mais baixos de ingestão total de ferro e consumo de carne bovina aumentada menor do que100g/dia durante a gestação podem resultarem maior risco de deficiência latente de ferro e níveis mais baixos de ferritina (ferritina <100 mg/ml) no sangue do cordão umbilical, com possíveis efeitos ao longo da vida na mielinização, desenvolvimento neuro cognitivo e pior desempenho ao longo da vida.

Entretanto é importante salientar que o estudo apresenta algumas limitações, entre elas o viés de memória no momento da aplicação do questionário de frequência. Além disso, o tamanho da amostra para alguns subgrupos definidos por outras características maternas e neonatais foi pequeno, limitando a capacidade de detectar diferenças estatísticas ou associações. Outra limitação pode ser atribuída à estratégia do questionário de obter a maioria dos dados qualitativos do estudo. A deficiência de ferro materna no terceiro trimestre da gravidez não foi medida com um exame de sangue laboratorial. Por fim, é importante considerar que os resultados deste estudo não podem ser generalizados para a população geral.

Referência: MORAES, Mario et al . Relación entre el consumo materno de carne vacuna durante el embarazo y los niveles de ferritina en el cordón umbilical. Arch. Pediatr. Urug.,  Montevideo ,  v. 92, n. 2,  e210,  dic.  2021. Disponible en <http://www.scielo.edu.uy/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1688-12492021000301210&lng=es&nrm=iso>. accedido en  05  nov.  2021.  Epub 01-Dic-2021.  http://dx.doi.org/10.31134/ap.92.2.3.

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