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Efeito da higiene do sono na ingestão de energia entre adultos com excesso de peso

                A obesidade é um problema de saúde pública que vem sendo enfrentado durante muitos anos ao redor do mundo. Coincidentemente o padrão de sono também vem sendo alterado ao longo dos anos, teria essa alteração alguma relação com o excesso de peso e obesidade?

                Nos Estados Unidos, uma pesquisa mostrou que um terço da população não dorme de 7 a 9 horas por dia, o que é fortemente recomendado para evitar possíveis problemas de saúde relacionados ao pouco sono efetivo. A obesidade tem sido muito estudada e evidenciada por estudos epidemiológicos, e os resultados mostram as noites de sono ruins ou insuficientes como um importante fator de risco para ganho de peso e desenvolvimento de obesidade.

                Prolongar as horas e a qualidade de sono teria alguma influência no tratamento ou prevenção da obesidade na vida real? Um estudo clínico e randomizado buscou a resposta para essa pergunta.

                Foram recrutados 80 pacientes de 21 a 40 anos, deles, 51,3% eram homens, com IMC médio de 28,1 kg/m² e horas de sono de em média 5,5h por noite. Os participantes tiveram seu hábito de sono 6 meses anteriores ao estudo relatados e os dados foram confirmados por um acompanhamento de 1 semana no ambiente pessoal dos participantes através de uma actigrafia de pulso. Foram excluídos pacientes que tinham apneia do sono, insônia ou qualquer histórico de de distúrbio do sono e dietas ou intervenções para perda de peso.

                Os participantes foram divididos em dois grupos, o grupo randomizado de controle (n=40) e o grupo randomizado com extensão de horas de sono e orientações sobre higiene do sono (n=40). Para cegar os participantes, o grupo controle recebeu apenas informações de que seriam coletados dados sobre sono e metabolismo, sem intervenções, e o grupo de extensão foi orientado a aumentar as horas de sono para 8,5 horas por noite, seguindo orientações dadas por especialistas sobre a higiene do sono. 

                Os pesquisadores avaliaram os dados de intervenção dos participantes durante 2 semanas, peso e composição corporal em jejum coletado todos os dias em balança de bioimpedância que foi dada aos participantes e tinha conexão com o aplicativo do instituto mas não demonstrava os dados para os participantes, além de um relógio monitor de sono.

                Os dados coletados mostraram que houve uma redução significativa de ingestão calórica pelos participantes que passaram pela intervenção de sono (−270,4 kcal/d; IC 95%, −393,4 a −147,4 kcal/d; P<0,001). O aumento de 1 hora de sono foi correlacionado a uma diminuição na ingestão de aproximadamente 162 calorias por dia (-162,3 kcal/d; IC 95%, -246,8 a -77,7 kcal/d; P<0,001), resultando em uma perda de peso significativa no grupo de intervenção do sono quando comparado ao grupo controle (-0,87 kg; IC 95%, -1,39 a -0,35 kg; P=0,001).

                Os pesquisadores concluíram que as mudanças no padrão de sono, configurando hábitos de higiene do sono e aumentando as horas de sono dormidas por noite podem resultar em uma perda de peso considerável. Levando os resultados a um modelo preditivo de Hall, a diminuição na ingestão de 270 kcal/dia que foi descoberta nos participantes de intervenção, levaria uma perda de 12kg em 3 anos (sem levar em consideração futuras rupturas de protocolo pelos participantes a longo prazo).

                Esses resultados ressaltam a importância de políticas para melhorar a qualidade e quantidade de horas de sono da população como uma meta de saúde pública, a fim de prevenir o sobrepeso e obesidade.

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