Ponto-contraponto: a calorimetria indireta não é essencial para a terapia nutricional ideal do paciente crítico

Ponto-contraponto: a calorimetria indireta não é essencial para a terapia nutricional ideal do paciente crítico

A Calorimetria indireta é amplamente reconhecida como método “padrão ouro” para avaliar gasto energético e, portanto, intuitivamente profissionais entenderam que seu uso seria necessário para fornecer suporte nutricional ideal em doenças críticas. Estudos recentes na literatura, bem como mudanças dramáticas na prática clínica na última década, no entanto, sugerem que a avaliação precisa através da calorimetria indireta para definir metas energéticas não é essencial para maximizar o benefício clínico da alimentação precoce na unidade de terapia intensiva.

Um estudo liderado por Stephen Mc Clave e publicado na Nutrition in Clinical Practice, revista da Sociedade Americana de Nutrição Parenteral e Enteral, aponta que resultados de ensaios clínicos randomizados que avaliaram a subalimentação permissiva, o uso de nutrição parenteral suplementar para obter um controle calórico restrito e a densidade calórica das fórmulas para aumentar a entrega de energia forneceram uma perspectiva importante sobre três questões pertinentes:

  1. A equação preditiva simples com base no peso (25 kcal / kg / dia) fornece uma aproximação clinicamente útil de gasto energético;
  • Avaliação precisa de gasto energético por calorimetria indireta não parece melhorar os resultados em comparação com o uso dessa estimativa menos precisa das necessidades energéticas;
  • Oferecer uma porcentagem da necessidade energética (50% – 80%), atinge benefícios clínicos semelhantes à alimentação completa (100%) nas fases iniciais da doença crítica.

Os autores afirmam ainda que o uso da calorimetria indireta tem muito valor na determinação das necessidades energéticas em condições em que as equações baseadas no peso não são precisas, como anasarca, amputação, obesidade grave, ou quando o estado clínico está notavelmente alterado (como no caso do estado hiperinflamatório prolongado causado pela COVID-19). Na maioria das outras circunstancias, o uso rotineiro da calorimetria indireta não demonstra alterar resultados clínicos da terapia nutricional precoce na UTI.

Referência

McClave SA, Omer E. Point-Counterpoint: Indirect Calorimetry Is not Necessary for Optimal Nutrition Therapy in Critical Illness. Nutr Clin Pract. 2021;36(2):268-274. doi:10.1002/ncp.10657

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