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Bebidas adoçadas podem aumentar risco de doença cardiovascular

Um estudo observacional publicado no Journal of the American College of Cardiology, avaliou 105.000 indivíduos inscritos na coorte NutriNet-Santé. Os padrões alimentares foram relatados pelos próprios participantes, enquanto os desfechos de saúde foram validados pelos pesquisadores. A amostra era composta predominantemente por mulheres (79%), com média de idade de 43 anos no início do estudo.

Os pesquisadores identificaram 1.379 casos incidentes de acidente vascular cerebral, ataque isquêmico transitório, infarto agudo do miocárdio, síndrome coronariana aguda e angioplastia na coorte durante 2009 a 2019. Os casos que ocorreram ao longo dos três primeiros anos de acompanhamento foram excluídos da análise, para evitar um potencial viés de causalidade reversa.

As bebidas adoçadas com açúcar foram definidas como contendo 5% ou mais de açúcares, incluindo sucos de fruta naturais. Os participantes do estudo que apresentaram o consumo mais elevado bebiam uma mediana de 185 mL por dia de bebidas adoçadas com açúcar ou 176 mL por dia de bebidas adoçadas artificialmente. Adoçantes naturais não calóricos como stevia foram incluídos no grupo de bebidas adoçadas artificialmente.

Depois de ajustes para uma ampla variedade de fatores de confusão relacionados com a alimentação, demografia e saúde, os resultados mostraram que, em comparação com aqueles que relataram não consumir nenhuma bebida adoçada, aqueles que consumiam uma quantidade elevada de bebidas adoçadas com açúcar apresentaram risco 20% maior de eventos cardiovasculares (p para tendência < 0,0009), enquanto aqueles que consumiam bebidas adoçadas artificialmente apresentaram risco 32% maior (p para tendência < 0,03).

De acordo com os autores, os achados acrescentam evidências de que bebidas adoçadas artificialmente podem não ser um substituto saudável para bebidas adoçadas com açúcar. Embora pesquisas tenham sugerido que adoçantes artificiais induzem intolerância a glicose ao alterar a microbiota intestinal, mais estudos e pesquisas maiores são necessários para entender os mecanismos pelos quais eles podem interferir no risco de doença cardiovascular.

No entanto, vale ressaltar que o desenho desse estudo não leva em consideração outras fontes de ingestão de açúcar. Além disso, o estudo não diferenciou os diferentes tipos de adoçantes consumidos. Stevia, sacarina, sucralose foram todos avaliados dentro do mesmo grupo, mas é altamente improvável que cada um desses agentes tenha o mesmo efeito na microbiota intestinal.

Referência

Chazelas E, Debras C, Srour B, et al. Sugary Drinks, Artificially-Sweetened Beverages, and Cardiovascular Disease in the NutriNet-Santé Cohort. J Am Coll Cardiol. 2020;76(18):2175-2177.

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