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Composição alimentar e ingestão de fibras de adolescentes brasileiros

A importância da ingestão de fibras para a diminuição do risco de doenças cardiovasculares, diabetes do tipo 2, câncer de cólon proximal e distal, mortalidade por doenças cardíacas e neoplasias de todas as causas já é amplamente reconhecida.

Considerando essa importância e a escassez de estudos relacionando a ingestão de fibra dietética com a saúde do público jovem, um estudo brasileiro teve como objetivo identificar os alimentos consumidos, fontes de fibra dietética e fatores associados em relação a alimentação de adolescentes brasileiros.

Foram utilizadas duas pesquisas populacionais com participantes residentes em Campinas – SP e a partir desses dados, foram selecionados adolescentes de 10 a 19 anos, que responderam ao Inquérito de Saúde de Campinas (ISACamp 2014-15),  Inquérito de Consumo Alimentar e Estado Nutricional (ISACamp-Nutri), Recordatório de 24 Horas (R24h) e o Questionário de Frequência Alimentar (QFA), a fim de investigar as características demográficas, socioeconômicas, saúde, estilo de vida e comportamento alimentar.

As quantidades de fibra alimentar total e das frações foram consideradas em densidade energética (g/1.000 kcal/dia) e os valores de referência da OMS (≥12,5 g/1.000 kcal) e do Institute of Medicine (IOM) (14 g/1.000 kcal).

A pesquisa revelou os seguintes dados:

  • 891 adolescentes foram avaliados com média de 14,6 anos (IC 95%), 52% eram meninos e 55,5% autodeclarados brancos. Quanto a escolaridade, 19,7% tinham até 4 anos de estudo e 21,6% das famílias recebiam menos que meio salário-mínimo per capita.
  • Baixo consumo (<5 vezes na semana) de frutas foi referido por 61,9%, de feijão por 28,3%, enquanto elevada frequência de consumo (>2 vezes na semana) de refrigerantes foi relatada por 50,7% dos adolescentes.
  • Café da manhã de consumo diário foi relatado por 63,7% e apenas 31,4% checavam os rótulos dos alimentos consumidos.
  • A ingestão média total de fibras alimentares foi de 12,6 g (IC 95% / solúvel de 3,0 g / insolúvel de 9,6 g), tendo as meninas uma menor média de consumo de fibras (11,7g) do que os meninos (13,5g).
  • O consumo diário de fibras alimentares foi estimado em 6,4 g/1.000 kcal para os adolescentes, valor correspondente a 1,5 g/1.000 kcal de solúvel e 4,9 g/1.000 kcal de insolúvel.
  • Em relação ao total de fibra solúvel consumida, aproximadamente 38% foram provenientes de alimentos ultraprocessados.

Os autores concluíram que a ingestão dos adolescentes brasileiros ficou abaixo das recomendações propostas pela OMS (≥ 25 g/ dia ou 12,5 g/1.000 kcal) e pelo IOM (38g/dia para meninos e 26g para meninas) ou de 14 g/1.000 kcal/ dia. Este resultado foi apoiado por uma forte relação entre o menor consumo de alimentos in natura com o autorrelato de alimentação ruim, alto consumo de produtos industrializados e refrigerantes.

Estes achados reforçam a importância de uma alimentação rica em alimentos in natura ou minimamente processados, sendo estes, a base da alimentação, segundo a recomendação do Guia Alimentar para a População Brasileira.

Referência: Meira, Rafaela de Campos Felippe et al. Contribuição dos diferentes alimentos segundo a classificação Nova para a ingestão de fibras alimentares em adolescentes. Ciência & Saúde Coletiva [online]. 2021, v. 26, n. 08 [Acessado 19 Novembro 2021] , pp. 3147-3160. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/1413-81232021268.09592020>. Epub 09 Ago 2021. ISSN 1678-4561. https://doi.org/10.1590/1413-81232021268.09592020.

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