Compulsão alimentar afeta reganho de peso após cirurgia bariátrica

Compulsão alimentar afeta reganho de peso após cirurgia bariátrica

Metanálise publicada em outubro no periódico Obesity Reviews sugere que a presença de compulsão alimentar desempenha importante papel no reganho de peso após cirurgia bariátrica.
O trabalho avaliou 13 artigos somando 1766 indivíduos submetidos à cirurgia bariátrica e acompanhados por, no mínimo, 18 meses após a intervenção. Foram considerados apenas os artigos que incluíram algum tipo de instrumento validado para avaliação psicopatológica.
A partir de avaliação qualitativa, os autores identificaram uma associação positiva entre o reganho de peso e depressão, traços de impulsividade e qualidade de vida ruim. No entanto, esses e outros fatores relacionados com psicopatologias gerais (como ansiedade) foram abordados em poucos estudos, o que inviabilizou a análise quantitativa a partir da metanálise.
A psicopatologia alimentar, por outro lado, foi investigada em 12 dos trabalhos selecionados, sendo que a maioria (n = 10) descreveu o quadro no pós-operatório. A análise revelou que os pacientes que apresentaram psicopatologia alimentar após a cirurgia bariátrica tinham razão de risco 2,2 vezes maior de reganho de peso do que os que não apresentaram a condição.
Na prática, esses resultados podem ajudar os profissionais a anteciparem suas ações: ao identificar a presença de sintomas de compulsão alimentar, avaliar precocemente se há necessidade de um tratamento medicamentoso e/ou psicoterapia e planejar uma intervenção a fim de evitar o reganho de peso. Mas vale ressaltar que o reganho de peso não está associado somente ao comportamento. Pode envolver a técnica cirúrgica empregada, distúrbios endócrinos, uso de medicamentos, hábitos alimentares e prática de atividades físicas e, portanto, precisa ser abordada como um problema multifatorial.

Referência
Mauro MFFP, Papelbaum M, Brasil MAA. Is weight regain after bariatric surgery associated with psychiatric comorbidity? A systematic review and meta-analysis. Obes Rev. 2019; 20(10):1413-1425.

Deixe uma resposta

Fechar Menu