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Ingestão de água, estado de hidratação e mudanças de 2 anos no desempenho cognitivo

A água é um componente essencial e que precisa estar presente no corpo de forma abundante para a sua manutenção. A ingestão hídrica adequada realizada diariamente também é considerada um dos pontos cruciais para o bom funcionamento cognitivo devido a condutividade neural. A água é a melhor forma de obter hidratação, sendo fundamental para todos, além disso permite a preservação das funções físicas e mentais.

Aos adultos mais velhos, recomenda-se o consumo com maior abundância devido a sensibilidade gerada aos sinais da sede não sendo tão evidentes, e com a diminuição da massa muscular as reservas corporais também podem ficar mais baixas. O consumo reduzido pode acarretar a desidratação e consequentemente afetando não só o desempenho cognitivo, mas também o humor.

A função cognitiva de um indivíduo é extremamente importante por diversos motivos, sendo as principais: a independência, o desempenho das atividades diárias e qualidade de vida tornando-se aliados importantíssimos e essenciais no envelhecimento. Além dos hábitos alimentares saudáveis, podem ser um preditor para retardar o desenvolvimento declínios cognitivos.

Estudos apontam que em média cerca de 55 milhões de pessoas foram diagnosticadas com demência por decorrência de um declínio cognitivo, e esse número pode aumentar para cerca de 80 milhões até 2030.

O presente estudo foi realizado na Espanha, através de um estudo de coorte prospectivos com coleta de dados de 2 anos, recrutaram cerca de 6.874 participantes adultos de 23 centros do PREDIMED – Plus, com idades entre 55 a 75 anos para homens e 60 a 75 para mulheres, apresentando sobrepeso ou obesidade (IMC : 27 a 40 kg/m2), que apresentaram cerca de três síndromes metabólicas, mas que não apresentassem doenças cardiovasculares e neurodegenerativas prévias.

Foram aplicados por nutricionistas dois questionários validados por uma população de indivíduos mais velhos, sendo o primeiro um questionário de avaliação da ingestão de bebidas (BIAQ), e o segundo um questionário de frequência alimentar (QFA). A junção dessas duas formas de avaliação permitiu saber o quanto era a ingestão de água potável (água da torneira e engarrafada), de água de todos os líquido (água da torneira, engarrafada e outras bebidas), e a ingestão total de água (água de todos os fluidos, presentes nas fontes alimentares) por cada participante principalmente diariamente.

A recomendação utilizada total para esse público era cerca de 2,5 litros e 2 litros para homens e mulheres adultos.Para avaliar o estado de hidratação foi com base na osmolaridade sérica calculada (SOSM), que é o biomarcador mais confiável para esse público, medindo então os níveis de glicose sérica em jejum, uréia, sódio, potássio, foram medidos por métodos padrão.

Para avaliar o desempenho cognitivo foram realizados 8 testes neuropsicológicos, sendo eles: Mini-Mental State Examination (MMSE), dois Verbal Fluency Tests (VFTs), dois Digit Span Tests (DSTs) da Wechsler Adult Intelligence Scale-III (WAIS-III), o Clock Drawing Test ( CDT) e dois Trail Making Tests (TMTs), tiveram como principal avaliação os diferentes domínios cognitivos, sendo acompanhados por cerca de dois anos. Foi utilizado o escore de função cognitiva global (GCF) como um mediador de resultados, entre muitas outras análises e testes e recomendaram.

Resultou-se que cerca de 80% dos participantes sendo eles (69% dos homens e 90% das mulheres) seguiram as recomendações de ingestão hídrica de acordo com as respostas dos questionários, porém ao realizar a coleta dos resultados avaliou-se que cerca de 50% dos participantes apresentavam em sua fisiologia um estado de desidratação e apenas 10% estavam hidratados de acordo com os níveis de osmolaridade sérica. Tendo por sua vez que os que apresentaram um estado de desidratação tiveram um declínio na função cognitiva global em comparação aos hidratados pelo período de 2 anos de pesquisa, neste período os homens desidratados apresentaram um declínio cognitivo maior em comparação com as mulheres.

Porém, a baixa ingestão hídrica não leva somente a isso, quando indivíduos não consomem as quantidades necessária o balanço hídrico pode ser afetado, com isso quando a homeostase dos fluidos corporais estão baixa ou são interrompidas, elas podem afetar a função cognitiva porém, além disso regulação corporal é algo complexo, o estado de hidratação depende das necessidades fisiológicas de cada indivíduo. A água no corpo humano é uma fonte de hidratação, mas também é um mecanismo para a passagem de nutrientes pelo nosso corpo, além disso ela controla a osmolaridade do sangue, caso esteja elevada pode resultar na secreção do hormônio antidiurético (ADH), conhecido como vasopressina que tem atuação principalmente nos rins sendo responsável por elevar a reabsorção de água, trazendo o equilíbrio a osmolaridade, preservando o fluido do equilíbrio, participando também do funcionamento cognitivo, e podendo influenciar em hormônios sexuais andrógenos que são estão presente em grande quantidade em homens e mulheres.

No exercício a desidratação aguda pode levar a modificações na estrutura cerebral, podendo gerar redução no volume cerebral e mudanças regionais sutis na morfologia cerebral, porém são situações que podem ser revertidas através da reidratação. O risco da desidratação aguda é um estado de alerta, pois pode afetar o metabolismo e a hemodinâmica cerebral, podendo afetar o suprimento do oxigênio, causando declínios no fluxo sanguíneo cerebral, por decorrência se causar baixa oxigenação vascular, neuronal e levar o comprometimento da taxa metabólica cerebral de oxigênio.

Conclui-se que um estado de hidratação baixo em adultos velhos com síndrome metabólica e sobrepeso ou obesidade pode acarretar a um declínio na função cognitiva global, principalmente no público masculino além de outras disfunções em todo o corpo. Embora tenham sido realizadas várias análises e testes, é de extrema importância mais pesquisas, estudos de coorte prospectivo e ensaios clínicos randomizados para obter melhores resultados.

REFERÊNCIAS:

Nishi SK, Babio N, Paz-Graniel I, Serra-Majem L, Vioque J, Fitó M, Corella D, Pintó X, Bueno-Cavanillas A, Tur JA, Diez-Ricote L, Martinez JA, Gómez-Martínez C, González-Botella A, Castañer O, Alvarez-Sala A, Montesdeoca-Mendoza C, Fanlo-Maresma M, Cano-Ibáñez N, Bouzas C, Daimiel L, Zulet MÁ, Sievenpiper JL, Rodriguez KL, Vázquez-Ruiz Z, Salas-Salvadó J. Water intake, hydration status and 2-year changes in cognitive performance: a prospective cohort study. BMC Med. 2023 Mar 8;21(1):82. doi: 10.1186/s12916-023-02771-4. PMID: 36882739; PMCID: PMC9993798.

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