Aumentar consumo de vegetais não impacta a progressão de câncer de próstata

Aumentar consumo de vegetais não impacta a progressão de câncer de próstata

Algumas diretrizes clínicas para câncer de próstata propõem que a progressão e mortalidade do câncer sejam menores em pacientes com alimentação rica em vegetais. Adicionam que, este tipo de alimentação pode reduzir a necessidade de tratamento, melhorar a qualidade de vida,e também reduzir custos de saúde. Entretanto, essas recomendações são provenientes de opiniões de especialistas, estudos epidemiológicos e pequenos experimentos pré-clínicos.

Nesse cenário, pesquisadores conduziram um ensaio clínico randomizado e controlado, o estudo MEAL (Men’s Eating and Living), com 443 homens entre 50 e 80 anos de idade diagnosticados com adenocarcinoma de próstata comprovado por biópsia. Os participantes foram designados aleatoriamente para um grupo com intervenção comportamental (orientações por telefone) ou para um grupo controle.

Os pacientes do grupo intervenção foram orientados a consumir pelo menos sete porções diárias de frutas e vegetais, que incluiu pelo menos duas porções de vegetais crucíferos (couve-flor, repolho e brócolis). Os doentes foram avaliados seis vezes durante o primeiro mês e, em seguida, quatro vezes ao longo de dois meses, para consolidar a nova alimentação.

Por outro lado, os participantes do grupo controle simplesmente receberam um material impresso da Prostate Cancer Foundation encorajando a adoção de uma alimentação rica em vegetais.

Em 12 meses, os pacientes do grupo intervenção aumentaram significativamente  seu consumo de frutas e legumes em relação a ingestão anterior e a do grupo controle. As  diferenças persistiram durante 24 meses e foram respaldadas pelas alterações significativas dos níveis de carotenoides sanguíneos nos pacientes.

No entanto, não houve diferença significativa entre os dois grupos estudados em termos do número de pacientes que apresentaram progressão da doença e tampouco  no tempo de progressão para o tratamento.

Diante desses resultados, os pesquisadores concluíram que a intervenção comportamental realizada neste estudo promoveu aumento regular e importante do consumo de vegetais, ricos em carotenoides, crucíferos e hortaliças durante dois anos, mas não reduziu significativamente o risco de progressão clínica do câncer de próstata em comparação com  grupo controle.

Referência

Parsons JK, Zahrieh D, Mohler JL, et al. Effect of a Behavioral Intervention to Increase Vegetable Consumption on Cancer Progression Among Men With Early-Stage Prostate Cancer: The MEAL Randomized Clinical Trial. JAMA. 2020; 323(2):140-148.

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