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Eixo intestino-cérebro-microbiota e sua relação com a depressão

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Uma das principais incapacidades do mundo, a depressão é o transtorno mental mais comum entre os seres humanos, sendo um problema de saúde pública, gera diversas discussões e estudos, principalmente por estar ligada a altas taxas de suicídio. 

Estima-se que 280 milhões de pessoas, de todas as idades, e aproximadamente 5% dos adultos sejam afetados pela doença no mundo e recentemente, estudos com amostras populacionais demonstraram uma alta nos casos de depressão e transtorno de ansiedade, devido a pandemia do COVID-19.

Os tratamentos disponíveis hoje trabalham com base no princípio da base química cerebral que se torna anormal em casos destes transtornos, mas, é relatado um grande atraso no início do tratamento ou uma depressão resistente a antidepressivos de primeira linha como inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRSs) e inibidores da recaptação da serotonina-norepinefrina (IRSNs), sendo assim, as necessidades dos pacientes podem não ser atendidas a tempo.

Estudos da última década vem levantando a sugestão de que o eixo intestino-cérebro-microbiota seja responsável pela fisiopatologia da depressão, pois o fenótipo da doença é acompanhado por mudanças na microbiota intestinal, que por sua vez, afetam o comportamento e aumentam o risco de desenvolvimento de depressão. O eixo, atualmente reconhecido, representa o sistema cérebro-intestino-microbiota em hospedeiros e interações entre o sistema nervoso central (SNC), sistema de sinal químico endócrino, regulação imune, microbiota e efeitos metabólicos e funções de barreira no cérebro e intestino.

O microbioma é composto principalmente de bactérias, vírus, archaea e fungos na ordem de magnitude de um trilhão de micróbios; como resultado, a proporção é de quase 1:1 de bactérias para células humanas no corpo, embora o conteúdo genômico do microbioma contenha mais de 100 vezes mais genes do que o genoma humano. A microbiota desempenha papéis essenciais envolvendo digestão e absorção de nutrientes, defendendo o trato gastrointestinal de patógenos e secretando vitaminas essenciais, como ácido fólico e vitamina K, mantendo assim a saúde geral do corpo humano. 

Um estudo de 2017 (Yang et al., 2017) apresentou dados que corroboram com a teoria de que a depressão está fortemente associada com o eixo aqui estudado, onde houve um número maior de Bifidobacterium em camundongos resilientes ao estresse crônico da derrota social (CSDS) do que nos camundongos não resilientes. Além disso, a administração de Bifidobacterium aumentou significativamente o número de CSDS, sugerindo então que a Bifidobacterium tem um importante papel neste eixo. Lactobacillus, Clostridium cluster III e Anaerofustis foram encontrados mais abundantemente em camundongos com maior predisposição ao desamparo aprendido (DA).

As intervenções dietéticas são uma boa estratégia, demonstrando ótimos resultados, para pacientes deprimidos em diversos estágios da vida, tanto na prevenção quanto no tratamento coadjuvante. 

A dieta ocidental, rica em gorduras saturadas e açúcares se mostrou deletéria quando falamos de composição da microbiota, trazendo impactos neuropsicológicos, aumentando produção de endotoxinas de bactérias comensais, promovendo neuroinflamação e por fim levando ao declínio cognitivo e depressão. Assim como uma dieta rica em frutose revelou um aumento de alterações neuroinflamatórias no hipocampo mediadas pelo inflamassoma NLRP6, prejudicando a barreira epitelial intestinal.

Dietas com o padrão saudável, como do mediterrâneo, demonstraram aumento das taxas microbianas intestinais e redução dos marcadores de inflamação, contribuindo assim para a melhora dos sintomas depressivos, assim como as dietas japonesas e norueguesas, ricas em ácidos graxos poliinsaturados ômega-3 (PUFAs).

Com estes achados, dietas direcionadas ao eixo cérebro-intestino-microbiota foram sugeridas para beneficiar a microbiota intestinal, promover um microbioma mais saudável, manter a integridade da barreira intestinal e contribuir para o desenvolvimento do cérebro, evitando e atuando como um coadjuvante no tratamento da depressão e possivelmente, outros transtornos mentais.

Link: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0361923022000375?via%3Dihub#bib111 

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