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Índice triglicerídeos-glicose está associado a diferentes riscos de doença cardiovascular em adultos com peso normal

O risco aumentado de desenvolvimento de doenças cardiovasculares em adultos com obesidade e sobrepeso já é amplamente reconhecido, mas qual conhecimento temos desse mesmo risco em adultos com peso normal?

Descobertas recentes apontam o índice Triglicerídeo-Glicose (TyG), produto do triglicerídeos e glicose em jejum (TG jejum (mg/dL) × Glicemia em jejum (mg/dL) / 2), como um importante indicador de desenvolvimento das DCV mesmo em adultos com peso dentro da faixa de normalidade. Este seria um novo método rápido, simples e barato para identificar Resistência à Insulina (RI), garantindo alta correlação com o teste de padrão ouro até o momento, Grampo Hiperinsulinêmico-Euglicêmico.

Kailuan, estudo de coorte prospectivo teve como objetivo avaliar a relação do índice TyG com o desenvolvimento de DCV em 40.473 pacientes com peso dentro da faixa de normalidade de acordo com a diretriz de Prevenção e Controle de Peso de Adultos Chineses. Os pacientes elegíveis eram livres de acidente vascular cerebral ou infarto do miocárdio ao início do estudo. O índice de TyG foi calculado e trajetórias foram traçadas de 2006 a 2012 e modelos de risco proporcional foram utilizados para avaliar as possíveis associações.

Dados sociodemográficos como sexo, idade, nível educacional, renda familiar, tabagismo, histórico médico e medicamentoso foram coletados.  Nível de atividade física e IMC foram levados em consideração, além de amostras de sangue coletadas e pressão arterial aferida.

As DCV avaliadas pelo estudo foram: derrame, derrame isquêmico, derrame hemorrágico e infarto do miocárdio. O CID-10 foi utilizado para definição de DCV.

Os dados coletados foram:

  • Os pacientes tinham idade média de 49,65 anos (±12,29 anos)
  • 75,18% eram do sexo feminino
  • Os riscos avaliados segundo as trajetórias de TyG foram descritos como:  baixo (n = 9.806 / TyG entre 7,84 e 7,93), moderado (n = 22.066 / TyG 8,43 e 8,52) e elevado (n = 1.290 / TyG entre 9,91 e 10,07).
  • Pacientes de moderado e alto risco para desenvolvimento de DCV eram mais velhos do que os pacientes de baixo risco, em maioria homens, com nível educacional menor, mais provavelmente fumantes e consumidores de álcool. Esse perfil também era mais praticante de atividade física do que os pacientes de risco mais baixo, mas tinham maior prevalência de hipertensão, diabetes, dislipidemia e mais propensos a tomar algum remédio como anti-hipertensivo, antidiabéticos e antidislipidêmicos. 
  • O aumento de TyG conforme os anos passavam foi significativamente associado ao aumento do risco no desenvolvimento de DCV (HR 1,46  / 95% IC / 1.23-1.73).
  • O aumento de 1 ponto de TyG foi associado ao aumento de 1,99 pontos de risco aumentado de desenvolvimento de DCV (HR, 1.99 / 95% IC / 1.41-2.83).

Os autores concluíram que durante os 6 anos de acompanhamento, pacientes com alto índice de TyG tinham padrões de alto risco de desenvolvimento de DCV. Pacientes de risco baixo e moderado que o cursaram com aumento de TyG ao passar dos anos também aumentaram o seu risco de desenvolvimento de DCV. 

Estes resultados sugerem que o acompanhamento de TyG ao longo da vida é um importante sinalizador para identificar possíveis populações de risco para DCV e auxiliar na prevenção primária para esse grupo de risco em populações de peso dentro da faixa de normalidade.

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