Novas Diretrizes para o Gerenciamento de Hipertensão no Diabetes

Novas Diretrizes para o Gerenciamento de Hipertensão no Diabetes 1

American Diabetes Association (ADA) atualizou suas diretrizes que orientam  profissionais de saúde sobre gerenciamento de hipertensão e diabetes. Publicada na edição de setembro da revista Diabetes Care, é a primeira orientação atualizada da ADA sobre o tratamento da hipertensão desde 2003.

As novas recomendações apresentam planos de estilo de vida para reduzir a pressão arterial (PA), que incluem sugestões para perda de peso, plano de dieta (DASH) e aumento da atividade física. Além disso, ressaltam que a meta de pressão arterial nos pacientes adultos com diabetes deve ser <140 / 90 mm Hg, pois reduz os eventos adversos cardiovasculares e algumas complicações microvasculares.

Em pacientes com alto risco de doença cardiovascular, recomenda-se um alvo menor de 130 / 80 ou 120 / 80 mm Hg. No entanto, esses objetivos devem ser alcançados de maneira menos invasiva possível, através de modificações no estilo de vida. De acordo com os autores, é necessário que o paciente entenda a importância da redução no consumo de sal, de dormir adequadamente e de praticar atividade física. “Demandará mais tempo e um nutricionista, mas deve ser o foco do tratamento”, afirmam os autores.

Além disso, o relatório recomenda fortemente que, em pacientes com diabetes, a pressão arterial deva ser medida em todas as consultas clínicas de rotina. Aqueles que apresentarem pressão arterial elevada (> 140/90 mm Hg) devem ter avaliações múltiplas, em dias diferentes, para diagnosticar hipertensão. Deve-se ainda incentivar o monitoramento da PA domiciliar por todos os pacientes hipertensos com diabetes, de modo a identificar a síndrome do revestimento branco.

Além da terapia de estilo de vida, o tratamento para pacientes com pressão arterial confirmada entre 140 / 90 mm Hg e 159 / 99 mm Hg pode ser iniciado com um único fármaco. Os pacientes que estiverem pelo menos 20 / 10 mmHg acima do objetivo da PA devem receber combinações de medicamentos, que incluem bloqueadores do sistema de renina-angiotensina, bloqueadores dos canais de cálcio ou diuréticos. As combinações de inibidores da enzima de conversão da angiotensina (ECA) e bloqueadores dos receptores da angiotensina (ARBs) não são recomendadas como terapia multidrogas para atingir os alvos de pressão arterial.

Os autores também enfatizam que pacientes grávidas com hipertensão pré-existente ou hipertensão gestacional leve (BP <160/105 mm Hg) e nenhuma evidência de dano no órgão final não devem ser tratadas com medicamentos anti-hipertensivos, uma vez que não há nenhum benefício que supere claramente os riscos potenciais.

Por fim, a diretriz recomenda que o tratamento individualizado deva se basear nas comorbidades presentes em cada paciente, e deve ser parte de um processo compartilhado de tomada de decisão entre o clínico e o paciente.

Referência

de Boer IH, Bangalore S, Benetos A, Davis AM, Michos ED, Muntner P, et al. Diabetes and Hypertension: A Position Statement by the American Diabetes Association. Diabetes Care. 2017; 40(9):1273-1284.

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