Perfil de oligossacarídeos presentes no leite humano

Perfil de oligossacarídeos presentes no leite humano

Os benefícios do aleitamento materno para a saúde do bebê estão diretamente relacionados a composição do leite humano (LH). Dentre os principais componentes mais abundantes do LH destacam-se os oligossacarídeos (OLH), que são  aglicanas complexas desconjugadas sintetizadas a partir de lactose.  OLH participam na modulação da composição da microbiota intestinal da criança, pois são substratos específicos para bactérias intestinais relacionadas à saúde do hospedeiro. Estima-se que a concentração de OLH varia entre 20 – 25g/l no colostro e 5 – 15 g/l no leite maduro.

No entanto, a concentração de OLH está relacionada a fatores maternos – polimorfismos genéticos, idade – e fatores ambientais, como sazonalidade e localização geográfica. Assim, apesar de muitos estudos descreverem concentrações e variações de  composição de OLH durante o pós-parto, são escassos os estudos longitudinais que associaram características maternas com a composição de OLH. Além disto, lactantes podem ser classificadas em secretoras ou não secretoras de OLH de acordo com a funcionalidade das enzimas fucoziltransferases. O leite das lactantes não secretoras apresenta concentrações baixas ou nulas de dois oligossacarídeos – 2’-fucosil-lactose (2’FL) e lacto-N-fucopentaose (LNFP) I. Acredita-se que a ausência destes dois compostos no leite humano tenha implicações funcionais no lactente, como maior risco  de diarreia.

Recentemente, a revista cientifica Nutrients publicou uma coorte prospectiva brasileira que descreve variações nas concentrações de OLH durante os primeiros quatro meses de aleitamento materno. Os desfechos primários foram as concentrações de OLH e status materno de secretora ou não secretora. As covariáveis foram o IMC pré-gestacional, idade gestacional ao nascimento, ganho de peso gestacional, uso de suplementos durante a gestação, idade materna, escolaridade e paridade.

Foram incluídas 101 gestantes saudáveis que coletaram amostras de leite materno em diferentes tempos de pós-parto: 2-8 dias (n=52), 28-50 dias (n=75) e 88-119 dias (n=46). 15 participantes coletaram amostras em todos os 3 tempos. A mediana da concentração total de OLH foi de 12,5g/l, 11,5g/l e 11,3g/l nos três tempos de coleta, respectivamente. O leite produzido entre 28-50 dias apresentou maior diversidade de OLH (p<0,05). A maioria das mulheres foram classificadas em secretoras (89,1%) com  maior proporção de 2’fucosil-lactose (2FL) nos três tempos. Nas mulheres não secretoras os OLH mais abundantes foram o lacto-N-tetraose (LNT, 2-8 dias) e lacto-N-fucopentaose II (LNFPII, 28-50 e 88-119 dias). O IMC pré-gestacional e a paridade influenciaram a composição do OLH das participantes (p<0,05).

Os autores concluíram que a composição dos OLH varia durante os meses de lactação e de acordo com o IMC pré-gestacional, paridade e com o status materno de secretora ou não secretora. Os achados deste estudo contribuíram para entendimento das variações do perfil de oligossacarídeos presentes no leite humano de mulheres Brasileiras.

FERREIRA, A. L. et al. Human Milk Oligosaccharide Profile Variation Throughout Postpartum in Healthy Women in a Brazilian Cohort. Nutrients, v. 12, n. 3, 17 mar. 2020.

Link: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7146368/

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