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Úlceras por pressão: risco, fatores pré dispositores e prognóstico hospitalar em pacientes com mais de 65 anos

As lesões cutâneas, mais conhecidas como Úlcera Por Pressão (UPP) são caracterizadas por áreas localizadas de isquemia seguido de necrose tecidual, que são causadas por compressão ou fricção prolongada dos tecidos moles entre as proeminências ósseas e a superfície externa. Úlceras por pressão aumentam os gastos públicos e prolongam os dias de hospitalização dos pacientes, podendo trazer riscos de complicações adicionais, intervenções cirúrgicas e aumento  de mortalidade.

Determinar o risco do aparecimento de UP é um dos primeiros protocolos que devem ser instaurados na entrada do paciente e deve ser refeita a cada 48 horas ou quando houver alteração no estado de saúde do paciente. 

Dentre as estratégias descritas na literatura, a Escala de Braden é amplamente verificada como uma ferramenta preditora, avalia individualmente o estado nutricional, nível de mobilidade, percepção sensorial, atrito, cisalhamento, umidade e grau de atividade física.

Um estudo avaliou a aplicação da Escala de Braden e o real aparecimento de UPPs, em correlação com as variáveis de ​​nutrição, padrão de alimentação, grau de independência social, para assim determinar sua relação frente a resolução hospitalar em pacientes internados no Hospital Adventista Silvestre, na cidade do Rio de Janeiro, Brasil.

A avaliação:

  • 444 pacientes foram avaliados entre os anos de 2018 e 2019
  • Para a seleção, foram utilizados os seguintes critérios: estar hospitalizado, ter mais de 65 anos, responder por si ou com auxílio de algum familiar os tópicos a serem avaliados nos instrumentos aplicados que o requeiram, ter registro e história clínica nos sistemas da instituição.
  • Foram aplicados a Escala de Braden, o Mini Nutritional Assessment Short (MNA short) e o Prism 7
  • A escala de Braden 10 validada oferece seis parâmetros para avaliação por suas subescalas:
    1- percepção sensorial;
    2- umidade;
    3- atividade;
    4- mobilidade;
    5- nutrição;
    6 – domínio e atrito de cisalhamento.
    Cada subescala possui uma pontuação que varia entre 1 e 4, com exceção do domínio de atrito e cisalhamento. A soma total varia de 6 a 23 pontos, sendo igual ou inferior a 16 pontos, risco para desenvolvimento de UPP.
  • O MNA consiste em um questionário de 7 questões que também inclui a possibilidade de utilização do perímetro da panturrilha quando não for possível obter o IMC do paciente. Possui pontuação máxima de 14 pontos (entre 12-14 indica que o paciente está em bom estado nutricional, entre 8-11 identifica pacientes com risco nutricional)
  • O Prism 7 consiste em vários tópicos: idade acima de 85 anos, se o entrevistado é do sexo masculino, se tem problemas de saúde que limitam suas atividades físicas, se precisa de ajuda regularmente, se tem algum problema de saúde que o obrigue a ficar em casa, se for o caso de necessidade você pode contar com a ajuda de alguém próximo a você, se você precisa usar regularmente uma bengala, andador ou cadeira de rodas para se locomover. Os critérios foram objetivados com respostas simples de “sim” (pontuação) ou “não”. (0-2 pacientes com prisma negativo, 3 pontos pacientes limítrofes e 4-7 pontos pacientes com prisma positivo)

Os resultados encontrados:

  • A variável número de dias de internação foi correlacionada com:
    a) A escala de Braden (p = 0,000 r = -0,292)
    b) A escala Prism 7 (p = 0,001 r = 0,163)
    c) MNA Short (p = 0,000 r = -0,261)
  • Quando houve perda de massa magra e/ou imobilidade, o risco de UPP aumentou em 74%
  • Dos pacientes com UPP, a média foi de 12,75 (risco moderado) e dentro do grupo sem UP a média foi de 17,4 (risco moderado e baixo risco)
  • Dos 109 pacientes com UPP, 50,5% se localizavam na categoria de alto risco na escala de Braden. Somando os pacientes que foram classificados entre alto e moderado risco, 89% desenvolveram UPP.
  • A desnutrição além de aumentar o risco de UP, dificulta a cicatrização devido à redução dos nutrientes disponíveis para reparação e manutenção do tecido, resultando na perda do efeito tampão do tecido adiposo, menor resistência da pele, fraqueza geral e mobilidade edema reduzido. 
  • Em relação à sobrevida, estudos mostram que existe um possível risco aumentado (4 a 6 vezes) de mortalidade em pacientes com UPP.

A Escala de Braden mostrou-se um bom preditor para o desenvolvimento de UPP, alertando uma necessidade de assistência à saúde que inclua acompanhamento multiprofissional, cuidado e tratamento constante das lesões por pressão.

Referência: MORALES OJEDA, Miguel et al. Úlceras por presença: riesgo, fatores predisponentes e pronóstico hospitalario en pacientes maiores de 65 anos. Rev. virtual Soc. Parag. Med. Int. , Assunção, v. 8, n. 2, pág. 23-33, setembro de 2021. Disponível em <http://scielo.iics.una.py/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2312-38932021000200023&lng=en&nrm=iso>. acesso em 09 de dezembro de 2021.  https://doi.org/10.18004/rvspmi/2312-3893/2021.08.02.23

Link: http://scielo.iics.una.py//scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2312-38932021000200023&lang=pt 

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